Administração de Medicamentos em Países em vias de desenvolvimento

Não queremos fazer um blog unicamente com os dados dos países avançados. Percorremos muitos países, visitamos hospitais e temos visto muita disparidade de níveis. Em alguns, na realidade não sabem do que tratamos quando falamos em Patient Safety ou ISMP.

 O estudo ao qual vamos nos referir é sobre um hospital universitário de 850 leitos, em um país do mediterrâneo e foi realizado em 2016. Vimos dados similares em outros lugares.

Durante 3 meses o estudo se realizou com o método de observação direta em um setor, que ocupava 200 leitos.

Foram observadas 2400 administrações e realizaram-se cálculos sobre 2090, depois de descontar 310 omissões. Analisaram-se 7 acertos, pelo qual toda probabilidade de falha se multiplicou por 7 em cada caso. Foram detectados 5531 erros com uma média de 2,67 erros para cada observação. No percentual calculado: 5531 x 100 /2090 x 7 = 37,80 % das oportunidades, houve um erro. O erro mais comum foi via errada e dose errada.

Nenhum erro foi observado em somente 37 casos (1,5%).

O erro mais frequente foi de documentação errada: 90,96% das observações. Em seguida técnica de administração errada com 78,90 %, depois tempo ou momento errado: 36,7 %, doses erradas: 37,7% e via de administração errada: 19,57%.

O índice geral de erros para todas as vias de administração foi de 37,80% excluindo-se os erros de emissão. Algumas enfermeiras falharam em 22,9% das vezes e outras 50,9%.

Nos horários noturnos o índice de falhas se duplicou.

Analisando a via: EV, Oral, Infusão, IM, xarope, todas deram valores entre 33 e 39,5%, sendo significativamente maior para intravenoso. A performance das enfermeiras foi observada como inadequada em 98,43 % dos casos. Falta de alinhamento, informação e treinamento foram os problemas principais. Falta de treinamento para a preparação das doses e a administração também foi encontrado nos hospitais europeus.

Estudando as diferenças entre distintos departamentos de especialidades médicas: gastrologia, nefrologia, geriátricas e reumatologia, valores variaram entre 28,6 e 40,6%, ou seja, não é muito significativo.

Aos fins de semana, por falta de pessoal, o serviço foi significativamente pior.

As pessoas com idades mais avançados e analfabetos são o grupo de maior risco. Infelizmente o estudo não disse uma palavra sequer com referência ao sistema de logística de medicamentos, meios de automatização, tipo de prontuário utilizado, uni doses, etc, que poderia fornecer um pouco mais de informação.

Os valores em países em desenvolvimento se estimam entre 30 a 40% dos atendimentos com um EA. Neste caso estamos falando de quase 40%, unicamente no último processo, ou seja, de administração de medicamentos.

Apesar de ser um excelente estudo, bem documentado (aqui fizemos apenas uma breve síntese), não indica sugestões para resolver os problemas que são muito graves.

Conclusão:

Esta é a realidade em muitos países.

Cremos que a incorporação de sistema de doses unitária ligada a um CDSS, (Clinical Decision Support System) sistema de ajuda para eliminar as matemáticas no cálculo das diluições, faria uma notória diferença sobre a falta de treinamento do corpo de enfermeiras.

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